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Quanto custa um inventário no Brasil em 2026

A resposta curta é que custa entre 8% e 15% do patrimônio, dependendo do estado, da via escolhida e do tamanho da herança. A resposta útil exige destrinchar cada componente — porque parte deles é negociável e parte pode ser reduzida com organização.


Os quatro componentes do custo

1. ITCMD — o imposto estadual

É o maior item. Incide sobre o valor dos bens transmitidos e é de competência de cada estado, respeitando o teto nacional de 8% fixado pela Resolução do Senado nº 9/1992.

O que mudou em 2026. A Emenda Constitucional 132/2023 tornou a progressividade obrigatória, e a Lei Complementar nº 227, de janeiro de 2026, fixou as normas gerais nacionais do imposto. Na prática: quanto maior a herança, maior a alíquota.

Um detalhe importante de calendário: as regras novas não são autoaplicáveis. Dependem de lei de cada estado e do princípio da anterioridade, o que significa que leis estaduais publicadas em 2026 só produzem efeitos a partir de 2027.

Consequência prática para quem está lendo isto em 2026: alíquotas tendem a subir, não a cair. Estados que hoje cobram alíquota fixa baixa terão de migrar para faixas progressivas, e há inclusive projeto no Senado para elevar o teto nacional acima dos 8% atuais.

A base de cálculo é o valor de mercado dos bens — não o valor venal do IPTU nem o valor declarado no imposto de renda, que costumam ser bem menores. Essa diferença surpreende muita família.

2. Honorários advocatícios

Advogado é obrigatório nas duas vias, judicial e extrajudicial. As tabelas sugeridas pelas seccionais da OAB costumam indicar percentuais na faixa de 6% a 10% do valor do espólio, mas isso é referência, não tabelamento — o valor é negociável, especialmente em inventários grandes e sem conflito.

Vale pedir três orçamentos. A diferença entre propostas para o mesmo caso pode passar de 50%.

3. Custas e emolumentos

Via extrajudicial (cartório): emolumentos calculados por faixa de valor, conforme tabela estadual. Costumam ficar entre 1% e 2%.

Via judicial: custas processuais, que variam bastante por estado, mais eventuais perícias de avaliação de bens. Some entre 1% e 3%.

4. Certidões, avaliações e registros

Certidões negativas de tributos, certidões de matrícula atualizadas, avaliação de imóveis, taxas de transferência de veículos, registro da partilha no cartório de imóveis. Individualmente são valores pequenos; somados, chegam a alguns milhares de reais.


Exemplo prático

Patrimônio de R$ 800.000 — um imóvel de R$ 600 mil, um carro de R$ 60 mil e R$ 140 mil aplicados. Inventário extrajudicial, estado com ITCMD de 4%:

Item Estimativa
ITCMD (4%) R$ 32.000
Honorários (6%) R$ 48.000
Emolumentos (1,5%) R$ 12.000
Certidões e registros R$ 4.000
Total R$ 96.000

Cerca de 12% do patrimônio. Na via judicial, com honorários de 8% e custas maiores, o total passaria facilmente de R$ 110 mil.

Esses números são ilustrativos. Alíquotas e tabelas variam por estado, e o seu caso pode ter isenções aplicáveis.


O custo que ninguém coloca na planilha

Há um quinto componente, invisível e frequentemente maior que todos os outros: o que não é encontrado.

Uma conta em um banco onde a pessoa não movimentava há anos. Ações de uma privatização dos anos 1990. Uma apólice de seguro de vida contratada pelo empregador. Criptomoedas em carteira fria. Um consórcio quase quitado.

Nada disso avisa a família de que existe. Se ninguém souber, simplesmente não entra na partilha — e depois de encerrada, recuperar exige uma sobrepartilha, com novos custos e novo tempo.

Quanto mais espalhado o patrimônio, maior esse risco. Alguém com contas em cinco instituições tem muito mais chance de deixar algo para trás do que quem concentra tudo em uma.


Como reduzir o custo, legalmente

Escolher a via extrajudicial quando possível. É mais rápida e mais barata. Desde a Resolução CNJ 571/2024, ela passou a ser possível até em casos que antes exigiam a justiça, como herdeiros menores e existência de testamento.

Negociar honorários. A tabela da OAB é referência, não teto nem piso.

Não perder o prazo de 60 dias. A multa de ITCMD por atraso costuma ficar entre 10% e 20% do imposto — sobre uma base que já é grande.

Verificar isenções estaduais. Vários estados isentam transmissões abaixo de determinado valor, imóvel único de baixo valor usado como residência da família, ou situações específicas.

Planejar em vida. Doação com reserva de usufruto, holding familiar e testamento bem redigido podem reduzir carga tributária e conflito. Isso exige advogado e faz mais sentido em patrimônios maiores — mas, com a tendência de alta das alíquotas, o custo de esperar aumentou.

Deixar o inventário pronto. Não o processo, mas a lista: onde está cada conta, cada documento, cada apólice. Não reduz o ITCMD, mas corta meses de busca, honorários de horas gastas procurando e o risco de bem esquecido.


Quanto tempo demora

Situação Prazo típico
Extrajudicial, tudo organizado, sem conflito 2 a 5 meses
Extrajudicial com documentação incompleta 6 a 12 meses
Judicial, consensual 12 a 24 meses
Judicial, com litígio 3 a 8 anos

O tempo importa mais do que parece: enquanto o inventário corre, os bens não podem ser vendidos livremente, contas seguem bloqueadas e as despesas do imóvel continuam correndo.


> Aviso: valores e alíquotas variam por estado e mudam com frequência, > especialmente durante a transição da reforma tributária. Este texto é > informativo e não substitui a orientação de um advogado ou contador.


Boa parte desse custo é evitável — e não é a parte do imposto. É o tempo gasto procurando o que existe. O Cofre Familiar guarda essa lista de forma cifrada e a entrega a quem você escolher, se você parar de responder às verificações periódicas. Conheça o Cofre Familiar.

Atualizado em 2026-08.

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